Tour de France 2010 – Epílogo


Já la vai quase uma semana desde que o Tour acabou mas por falta de vontade e por sobreposição de outras coisas à arte de escrever só hoje estou a fazer a análise final.

No inicio do Tour os grandes candidatos eram os que ocuparam o pódio o ano passado, ou seja, Alberto Contador, Andy Schleck e Lance Armstrong. Ora para tristeza de muitos tivemos logo na primeira semana o afastamento de Armstrong da luta pela vitória. Foi pena sem dúvida para o espectáculo ver um campeão ser assombrado por vários azares como furos e um conjunto de quedas em momentos cruciais das etapas.
A partir daí tudo mudou, a luta ficou a dois pois apesar de terem aparecido outros ciclistas como Denis Menchov (que acabaria por conseguir o 3º lugar no pódio), Samuel Sánchez, Levi Leipheimer e até mesmo Jurgen Van Den Broeck logo nas primeiras etapas de montanha se percebeu que a luta ia ser entre Contador e Schleck.

Foi assim até ao final da volta, dois ciclistas muito equivalentes que acabaram as etapas sempre juntos há excepção de duas em que conseguiram resolver a seu favor (uma para cada um). Primeiro foi Schleck que conseguiu ganhar tempo a Contador e depois aconteceu o contrário. O problema foi que o ganhar tempo por parte do espanhol não foi propriamente justo. À partida para essa etapa Schleck tinha 31 segundos de vantagem na geral mas no final da tirada já tinha 8 segundos de desvantagem.
O que aconteceu foi que durante a parte montanhosa do dia o luxemburguês atacou e a meio do ataque saltou-lhe a corrente na altura em que Contador estava a tentar alcança-lo. Contador aproveitou a situação para ir por lá fora e ganhar assim 39 segundos ao seu rival.
Compreendo perfeitamente que ninguém é obrigado a esperar pro causa de uma queda ou falha mecânica mas acho que por uma questão de princípios se deve fazer. Vimos grandes campeões como Armstrong e Ullrich a esperarem um pelo outro quando uma situação destas acontecia. Mas pior do que isso é quando se sabe que os ciclistas são informados de tudo via rádio pelos seus carros de apoio e os vídeos da etapa mostram Contador a olhar para trás percebendo o que se passou com o seu adversário e no final da etapa vir com declarações do género “Não me apercebi da situação”. Enfim, coisas que ficam muito mal a um ciclista que tem muito talento mas ao que parece pouco fair-play e discursos que não correspondem ao que se passou na corrida. Não foi por acaso que nesse dia quando subiu ao pódio foi muito assobiado e o facto de deixar Schleck ganhar uma etapa quando chegaram os dois juntos ao alto de pouco vale pois ai entramos no campo da subjectividade. Quem é que garante que se disputassem ao sprint Contador ia ganhar? Mais do que isso, uma etapa não vale um Tour.
Naquele dia o Tour ficou manchado e isso veio a confirmar-se na hora de todas as decisões. No dia do contra relógio final que decidia virtualmente o vencedor da Volta a França Schleck acabou no 2º lugar a 39 segundos de Contador. Os valiosos 39 segundos que perdeu naquela etapa. Uma competição desta envergadura ter um vencedor que ganha desta maneira é triste e esperemos que não volte a acontecer.

Destaque ainda para Lance Armstrong que fez o seu último tour e a sua última corrida como ciclista. O ciclismo está agora mais pobre com a perda do norte-americano que vai fazer muita falta mas tudo é um ciclo e alguém à sua altura acabará por surgir. Para o ano há mais.

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