Wikileaks e o movimento de vanguarda


Wikileaks, uma das palavras mais mencionadas nos noticiários portugueses nos últimos tempos e provavelmente das mas digitadas no Google. Com estas referências ficamos com sensação que é algo recente, que surgiu há poucos meses atrás. Errado, a Wikileaks já existe desde Dezembro de 2006.

Todos sabemos os acontecimentos chocantes que foram tornados públicos por esta organização que têm como provável líder e principal porta voz Julian Assange e é de certa forma surpreendente como em 3 anos conseguiram descobrir muito mais do que jornalistas e outras organizações de investigação conseguiram em muitos mais anos.

Já agora, não sei se viram o documentário que passou outro dia no TVI 24 mas se não viram ficariam incrédulos como esta organização obteve alguns dos documentos confidencias que revelou ao público. Pronto, eu vou explicar, de uma maneira muito simples, um individuo ligado à Wikileaks entrou no Pentágono com uma Pen Usb acedeu a um computador, descarregou os dados para a pen drive e veio-se embora. Incrível não é? Se ainda tivesse sido um hacker ou de outra forma qualquer mas não, foi “aceder” fisicamente à organização e vir embora.

Voltando-me agora para o estado actual desta organização cibernética confesso que tenho pena de esta não atravessar os seus melhores dias. Julian Assange perdeu vários elementos há algum tempo atrás tudo devido à forma como revelou alguma da informação que não sendo muito do agrado dos seus companheiros provocou os vários abandonos. Não deixa de ser curioso também a abordagem dos políticos e comentadores americanos a esta questão. Sugestão de penas de morte para os trabalhadores da Wikileaks? Comparação da organização com a Al-Qaeda? Hmm…parecem-me discursos muito para além do exagero. Será que estão com medo de alguma coisa? Mais alguma revelação chocante sobre os EUA que eles têm conhecimento? Sobre eles próprios? Eu até percebo que tem de haver algum sigilo e que certas informações não podem sair cá para fora mas todas as que Assange nos apresentou nomeadamente os maus tratos para com os prisioneiros em Guantánamo, os actos bárbaros praticados pelos soldados norte-americanos no Iraque e a corrupção do banco islandês. Além do mais, se deixam gente entrar no Pentágono e sair desta forma só se podem queixar de si próprios.

Não me parece sinceramente que a Wikileaks tenha muito mais tempo de vida mas o ponto importante aqui não é esse mas sim a acção que esta organização despoletou, ou seja, eles conseguiram provar que nos tempos actuais um ou vários individuos através da Internet podem denunciar actos eticamente incorrectos practicados pelos governos ou por qualquer individuo. Eles foram os primeiros mas a verdade é que vão surgir outras como já o caso da Open Leaks que irá surgir brevemente à qual pertence um ex-companheiro de Assange.

A verdade é uma, todos estes movimentos são tentativas de trazer transparência às sociedades, uma maneira de alertar governos e comunidades que quem as representa é bom que tudo o que faça seja limpo e claro.
Como o Engenheiro Mário Valente disse e eu estou de acordo, assusta-me muito mais muito poder concentrado em meia dúzia de indivíduos do que distribuir um bocado desse poder por cada um. É isto que a Internet nos proporciona e que pode trazer muitas revelações chocantes para os noticiários.

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